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Princesa Isabel

Isabel Cristina Leopoldina de Bragança, a princesa Isabel, nasceu em 29 de Julho de 1846, no Rio de Janeiro, e faleceu em Paris, no dia 14 de novembro de 1921. Segunda filha de D. Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina Maria de Bourbon (o primeiro, Afonso, morreu aos dois anos de idade), casou-se em 1864 com o Conde D’Eu. Nas ausências do Imperador D. Pedro II assumiu por três vezes a regência do Império, oportunidade em que sancionou diversas leis, entre elas a relativa ao primeiro recenseamento do Império, a que permitiu a naturalização de estrangeiros, a que previa o desenvolvimento da viação férrea; e a que determinava a solução de questões de limites territoriais e relações comerciais com países vizinhos.
Liberal, a princesa uniu-se aos partidários da abolição da escravidão. Apoiou jovens políticos e artistas, embora muitos dos chamados abolicionistas estivessem aliados ao incipiente movimento republicano. Financiava a alforria de ex-escravos com seu próprio dinheiro e apoiava a comunidade do Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas, símbolo do abolicionismo. Em 28 de setembro de 1871, sancionou a Lei do Ventre Livre, tornando livres os filhos de escravos nascidos a partir daquela data, e em 13 de maio de 1888 a chamada Lei Áurea, extinguindo a escravidão em todo o território nacional, recebendo por isso o cognome de “A Redentora”. Com relação ao projeto de abolição, aprovado no Senado com apenas um voto contrário, e na Câmara por 83 dos 92 deputados presentes, ele foi o mais resumido que o país já teve, pois em seus dois artigos dizia simplesmente que é declarada extinta a escravidão no Brasil, e que ficam revogadas todas as disposições em contrário.
Os registros sobre essa passagem histórica revelam que em 30 de junho de 1887 a princesa Isabel assumiu a regência do império pela terceira vez. O movimento abolicionista lhe acarretara grande oposição por parte dos fazendeiros escravocratas, tornando tensas as relações entre a regente e o gabinete ministerial conservador. Aliada ao movimento popular contra a escravidão, enquanto o Barão de Cotegipe defendia sua manutenção, a princesa aproveitou a oportunidade surgida com um incidente de rua e demitiu o ministério, nomeando para seu lugar o conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira. Estava aberto, assim, o caminho para a liberdade dos negros no império. Em 13 de maio de 1888, num domingo, aconteceram as últimas votações de um projeto de abolição total. Certa da vitória a regente desceu de Petrópolis, cidade serrana, para aguardar no Palácio Imperial o momento de assinar a Lei Áurea. Usou uma pena de ouro especialmente confeccionada para a ocasião, recebendo a aclamação do povo do Rio de Janeiro. Em 28 de setembro o Papa Leão XIII lhe remeteu a comenda da Rosa de Ouro. Mas a elite cafeeira não aceitava a abolição. Cotegipe, ao cumprimentar a princesa, vaticinou: "Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono".
Nesse mesmo dia a Princesa Isabel enviou a seu pai o seguinte bilhete: "Empereur Brésil, Milan. Acabo sanccionar a lei da extincção da escravidão. Abraço Papae com toda a effusão do meu coração. Muito contentes com suas melhoras. Commungamos hoje por sua intensão. Isabel".
Logo depois da Proclamação da República, como a família Imperial havia sido banida do país, a Princesa acompanhou seus familiares rumo ao exílio. De seu casamento com o Conde D’Eu nasceram três filhos: Pedro de Alcântara, Luiz Maria Felipe e Antônio Gusmão Francisco. Os restos mortais da princesa e seu marido foram transferidos para o Rio de Janeiro em 6 de julho de 1953.
Por ter promulgado a Lei Áurea a Princesa Isabel conquistou um lugar de destaque na História do Brasil, pois se a sua atitude atendeu de um lado aos reclamos feitos pelos abolicionistas ao longo de anos de campanha contra a privação da liberdade imposta a seres humanos, de outro ela praticamente decidiu o destino da monarquia, pois lhe abalou as colunas de tal forma que o regime enfraquecido não mais conseguiu resistir às investidas dos republicanos.
Conforme determinava o artigo 46, capítulo 3, título IV, da Constituição brasileira de 1824, os príncipes da Casa Imperial seriam senadores por direito, e assim teriam assento no Senado quando alcançassem a idade de vinte e cinco anos. Dessa forma, em 1871 a princesa Isabel Leopoldina tornou-se a primeira senadora do Brasil, tendo sido, também, a única a desfrutar desse dispositivo constitucional, uma vez que todos os príncipes do Brasil que a antecederam, ou morreram antes dos vinte e cinco anos, ou se casaram com estrangeiros e deixaram o país, à exceção de seu pai, que assumiu o trono aos catorze anos de idade. Depois dela, a ordem constitucional do Império caiu antes que os príncipes porvir pudessem tornar-se senadores.
De pensamento arrojado para sua época, Dona Isabel era partidária de idéias modernas, como o sufrágio feminino e a reforma agrária. Documentos recentemente descobertos revelam que a princesa estudou indenizar os ex-escravos com recursos do Banco Mauá.

Update: D. Carlota Joaquina (18/02/2011)

25 de abril de 1775, Aranjuez - 7 de janeiro de 1830, Lisboa
Dona Carlota Joaquina.
Filha primogênita do rei da Espanha Carlos IV e de sua esposa, D. Maria Luísa Teresa de Bourbon, Carlota Joaquina de Bourbon nasceu em Aranjuez, em 25 de abril de 1775. Com apenas dez anos, casou-se por procuração com o príncipe de Portugal D. João, em um acordo de aliança entre os dois países. Após a morte de seu irmão primogênito D. José, D. João tornou-se príncipe regente e depois rei de Portugal, com o nome de D. João VI. Descrita por muitos da época como uma pessoa feia, Carlota possuía um temperamento forte e voluntarioso, o que dificultava a sua relação com outras pessoas. Comenta-se que, durante a lua de mel, teria agredido o seu marido com uma dentada para que o casamento não fosse consumado. Extremamente ambiciosa, a princesa tentou logo dominar o seu marido, que não cedeu às suas vontades, e com isso ela acabou se afastando de sua presença. Com a doença de D. Maria I, que se encontrava com problemas mentais, D. João se muda para o palácio de Mafra, onde governa o país como príncipe regente, enquanto sua esposa continua a viver no palácio de Queluz com a família real. Carlota Joaquina foi mãe de nove filhos: Maria Teresa, Antonio Pio, Maria Isabel Francisca, Pedro de Bragança (futuro imperador do Brasil), Maria Francisca, Isabel Maria, Miguel I, Maria da Assunção, Ana de Jesus. Embora, até o último momento tenha tentado continuar em Portugal, com a invasão das tropas napoleônicas ao país, em 1807, foi obrigada a embarcar para o Brasil com o marido, os filhos e o restante da corte portuguesa. No Rio de Janeiro, preferiu sempre morar longe do marido, em locais bucólicos, como Botafogo. Os dois apenas se reuniam em algumas solenidades públicas. Se estava mal-humorada, mandava chicotear transeuntes que não se ajoelhavam quando ela passava com seu cortejo. Como representava constante perigo a autoridade do príncipe, o regente conseguia espiões para vigiá-la e a princesa subornava outros tantos para estar sempre abastecida de informações do que ocorria no Palácio Real e na Quinta da Boa Vista.

Um dos mais conhecidos espiões foi Francisco Gomes da Silva, apelidado de Chalaça, que serviu várias vezes de espião entre o rei e a rainha e vice-versa. Além de avisá-lo sobre as possíveis conspirações da rainha, estes informantes também contavam ao regente sobre as aventuras amorosas de sua mulher, que possuía vários amantes. Por diversas vezes, Carlota Joaquina tentou tomar o poder de seu marido. Em 1805, ainda em Portugal, o regente descobriu uma conspiração tramada por sua esposa que, com o apoio de nobres e eclesiásticos, planejava tirar D. João do poder, declarando-o incapaz. Como a Espanha, seu país natal, se encontrava em poder de Napoleão com toda a sua família prisioneira, Carlota concebeu um plano para governar as colônias espanholas, se transformando na rainha do Rio da Prata. O projeto fracassou, inclusive pela falta de interesse de D. João, que impediu que consumasse o golpe planejado.

Em 1816 foi aclamada rainha, após o falecimento de D. Maria I em 1816. Com a revolução do Porto, em 1820, voltou para a Europa juntamente com a família real. Já em terras lusitanas, manifestou-se contra ao regime constitucional e por isso teve a cidadania portuguesa cassada. Confinada na Quinta do Ramalhão, conspirou para a volta do absolutismo e, com a morte do marido, estimulou o filho, D. Miguel, a se apoderar da coroa, que lhe seria tirada posteriormente por D. Pedro I do Brasil (D. Pedro IV de Portugal). D. Carlota Joaquina morreu em Lisboa, no palácio de Queluz, em 7 de janeiro de 1830.

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