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Manuel Luís Osório (General Osório, Marquês do Erval)

General Osório (1868).
Marechal brasileiro, Manuel Luís Osório nasceu a 10 de maio de 1808, em Nossa Senhora da Conceição do Arroio (atual Osório), no Rio Grande do Sul, no Brasil. Criado na fazenda do avô materno, Osório incorporou, em 1823, a cavalaria da Legião de São Paulo. Lutou contras as tropas portuguesas, que não queriam aceitar a independência do Brasil, na Província de Cisplatina (Uruguai) e participou ativamente no cerco de Montevideu. Um ano depois, foi designado cadete e, mais tarde, alferes do 3.º Regimento de Cavalaria da primeira linha. Em 1924, inscreveu-se na Escola Militar, inscrição que foi anulada devido à guerra iminente no Sul do país. Em 1825, regressou à guerra da Cisplatina, sendo o único oficial do seu esquadrão a sobreviver na batalha de Sarandi, a 12 de outubro desse ano. Em outubro de 1827, foi promovido a tenente e participou nas conversações de paz. O regimento, do qual fazia parte, estabeleceu-se em Rio Pardo, onde passou a morar, consagrando-se à política pelo Partido Liberal.

Marquês do Erval.
A 15 de outubro de 1835, casou-se e passou a servir o 2.º Corpo de Cavalaria, em Bagé. Entre 1835 e 1845, combateu na guerra dos Farrapos; primeiro, ao lado dos rebeldes, depois, ao lado das forças do governo central. Participou, ainda, nos combates contra os rebeldes em Porto Alegre, Caçapava e Erval. Nessa época, solicitou a sua reforma, mas o Exército não querendo dispensá-lo, nomeou-o tenente-coronel. Em 1851, Manuel Osório e o seu regimento intervieram contra o presidente argentino Rosas e uruguaio Oribe. Evidenciou-se na batalha de Monte Caseros, a 3 de fevereiro de 1852, ao derrotar Rosas. Promovido a Coronel, esteve a servir, durante alguns anos, em Rio Grande do Sul. Em dezembro de 1856, foi promovido a brigadeiro e, mais tarde, designado inspetor de cavalaria do Norte do Brasil, onde permaneceu por pouco tempo. Com o finalidade de destituir o presidente uruguaio Aguirre, Osório foi destacado, em finais de 1864, para liderar uma das duas divisões brasileiras que se preparavam para invadir o Uruguai, invasão que se deu a 16 de abril de 1866. Nesses confrontos, a sua maior batalha, que enfrentou com grande heroísmo, foi a de Tuiuti, que permitiu melhorar as relações entre os dois países. Dois anos depois, liderou a ofensiva que conquistou a fortaleza de Humaitá, no Paraguai. Após ter sido alvejado no maxilar, Osório foi substituído pelo General Polidoro Jordão e regressou ao Brasil para recuperar do ferimento. Regressou, em julho de 1869, ao Paraguai, onde participou na batalha de Peribeluí, mas o seu estado de saúde obrigou-o a deixar permanentemente aquele país. Em maio de 1866, recebeu o título de Barão de Erval e, em 1869, o de Marquês de Erval. Em 1877, foi promovido a Marechal do exército e foi eleito Senador, pelo Rio Grande do Sul. Finalmente, exerceu o cargo de Ministro de Guerra. Manuel Osório, patrono da Arma de Cavalaria do Exército Brasileiro, faleceu a 4 de outubro de 1879, doente com pneumonia.

Frei Caneca

Orador, revolucionário político, publicista brasileiro. Nasceu em Recife, Pernambuco no ano de 1779, faleceu no dia 13 de Janeiro de 1825. Foi professor de Geometria e Retórica; pertencia a ordem dos carmelitas. Em 1817, envolvendo-se no movimento revolucionário de Pernambuco, foi preso e condenado, sendo nesta ocasião enviado para a Bahia onde cumpriu a pena de quatro anos. Regressando a Recife envolveu-se novamente na política. Proclamada a Independência do Brasil assumiu o Governo Provisório de Pernambuco. Descoordenado com a orientação política de D. Pedro I questiona uma obstinada campanha através da imprensa. Essa atitude naturalmente o tornou mal visto aos olhos do Governo Imperial. Surgiu novo movimento revolucionário em 1824; foi um dos grandes revolucionários da Confederação do Equador. 

Caneca não conseguiu ocultar seus ímpetos políticos, atirou-se inteiramente à campanha com objetivo de concretizar seus ideais. O movimento foi sufocado pelo governo quando sobreveio a derrota. Foi preso, condenado e aprisionado, levado a julgamento por uma comissão militar. Comprometido com o movimento revolucionário, viu-se condenado à sentença máxima (a forca). Nenhum escravo ou condenado teve coragem de condená-lo, decidiu-se então que seria fuzilado. E assim, tombou um dos maiores heróis que o Brasil já teve. Escreveu: “Dissertação Sobre o Que se Deve Entender por Pátria”, “De Um Cidadão e Deveres Deste para com a Pátria”, “Itinerário de uma Viagem ao Ceará”, “Tratado de Eloqüência”, “História da Província de Pernambuco”, “Cartas de Pitia a Damão” e etc. Seu nome: Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca.

Mascarenhas de Morais

João Batista Mascarenhas de Morais (São Gabriel, 13 de novembro de 1883 — Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1968) foi um militar brasileiro. Foi um dos comandantes da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, tendo combatido na Itália em 1944. Aos 14 anos, já morando sozinho em Porto Alegre, trabalhando e estudando, conseguiu ingressar na Escola Preparatória e Tática de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Ao sair de lá, após a conclusão do curso, foi ingressar na Escola Militar do Brasil, conhecida por Escola da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

Durante a Revolução de 1930, Mascarenhas manteve sua lealdade ao presidente Washington Luiz e foi preso pelos rebeldes liderado por Getúlio Vargas, que no futuro se tornaria presidente, após a expulsão de Washington Luiz. Após a liberação, Mascarenhas continuou sua carreira no exército. Foi colocado sob prisão pela segunda vez, quando proclamou o seu apoio a uma revolta militar e civil contra Vargas, em São Paulo (1932). Mais uma vez, após a derrota do levante, Mascarenhas foi liberado e não processado. Em 1935, enquanto comandava a Escola Militar do Realengo, Mascarenhas de Morais tomou parte na luta contra um levante comunista no Rio de Janeiro. Desta vez sua lealdade era com o governo constitucional de Getúlio Vargas. Em 1937, tornou-se General e no ano seguinte, foi nomeado comandante da 7ª e 9ª Regiões Militares em Recife e São Paulo, respectivamente.

Em 1943 ele foi nomeado comandante da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária da Força Expedicionária Brasileira. O general chegou a Itália com as primeiras tropas brasileiras em junho de 1944 e comandou as forças brasileiras até a rendição das forças do Eixo na Itália, em 2 de maio de 1945. Após o fim da guerra, ele retornou ao Brasil e, em 1946, foi promovido a Marechal, por ato do Congresso Nacional, e recebeu o comando da 1 ª Região Militar na então capital brasileira, Rio de Janeiro. Em 1953 foi nomeado chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), oportunidade em que acompanhou a crise política que levaria ao suicídio de Getúlio Vargas no ano seguinte. Depois do suicídio do presidente, em agosto de 1954, ele retornou para a reserva e publicou as suas memórias, como comandante da Força Expedicionária Brasileira
Em 1955, apoiou o golpe militar liderado pelo general Teixeira Lott, que garantiu a posse de Juscelino Kubitscheck na presidência da República.

Em São Gabriel, cidade de seu nascimento, encontra-se, na praça Fernando Abbott, um nobre monumento em sua homenagem. Nele estão escritas as batalhas que o marechal comandou na Segunda Guerra Mundial.
Faleceu no Rio de Janeiro em 17 de Setembro de 1968.

Luís Carlos Prestes

Comandante de uma extraordinária e revolucionária marcha, a Coluna Prestes, e líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por mais de 50 anos, Luís Carlos Prestes foi uma das figuras da América Latina mais perseguidas do século XX. Nascido em Porto Alegre (RS), cursou a Escola Militar do Rio de Janeiro. Transferido para o Rio Grande do Sul, liderou no Estado uma revolta tenentista contra o governo de Arthur Bernardes em 1924. Compostos por jovens oficiais do Exército, os "tenentes" pretendiam levantar a população contra o poder da oligarquia governante e, por meio da revolução, exigir reformas políticas e sociais, como a renúncia de Bernardes, a convocação de uma Assembléia Constituinte e o voto secreto. Depois de vários combates, os gaúchos foram ao encontro das tropas paulistas rebeldes comandadas por Isidoro Dias Lopes e por Miguel Costa, em Foz do Iguaçu (PR), formando a Coluna Prestes, com o propósito de percorrer o Brasil para propagar as idéias tenentistas. Os integrantes da Coluna realizaram uma incrível marcha pelo interior do país, percorrendo, a pé e a cavalo, cerca de 25 mil km. A marcha terminou em 1927, quando os revoltosos se exilaram na Bolívia. Nesse país, Prestes conheceu Astrogildo Pereira, um dos fundadores do PCB. Convertido à ideologia marxista, viajou para Moscou (ex-URSS) em 1931. 

Retornou clandestinamente ao Brasil em 1935, casado com a comunista judia alemã Olga Benário. Depois de comandar o fracassado golpe conhecido como Intentona Comunista (1935), com o intuito de derrubar o então presidente Getúlio Vargas e instalar um governo socialista, foi preso e sua mulher entregue à Gestapo (polícia política nazista) e deportada grávida para a Alemanha, onde morreu em um campo de concentração (1942). Após ser solto com o processo de redemocratização (1945), Prestes elegeu-se senador pelo PCB. Com a cassação do registro do partido (1947), teve a prisão preventiva decretada e foi obrigado a retornar à clandestinidade. Sua prisão preventiva foi revogada em 1958, mas, com o golpe militar de 1964, o líder comunista voltou a ser perseguido. Em 1971, conseguiu sair do país e se exilou na antiga URSS. Com a anistia de 1979, retornou, mas afastou-se do PCB.

Aristides Spínola

Aristides de Souza Spínola nasceu em Caetité (Bahia), a 29 de Agosto de 1850, e Faleceu no Rio de Janeiro aos 9 de Julho de 1925. Filho do Cel. Francisco de Souza Spínola, que foi deputado geral em três legislaturas, e de D. Constança Pereira de Souza Spínola. Esta família ilustre e de prestígio na Bahia criou o filho dentro de rígidos princípios morais, fazendo-lhe ver o valor de um nome honrado. Bem cedo, o menino revelou-se altamente curioso de tudo que lhe chegasse aos sentidos, elaborando, às vezes, perguntas bastante embaraçosas e que demonstravam a viva inteligência de que era dotado. No ano de 1871, bacharelou-se em Direito, após cursar brilhantemente a Faculdade de Direito do Recife. A sua aplicação e assiduidade foram tais, que durante os cinco anos do curso acadêmico não teve uma única falta ! Abriu, em seguida, a banca de advogado em sua terra natal. Fez, por essa época, diversas excursões pelo interior da Bahia e, particularmente, pelo vale do S. Francisco, com o fim de estudar as localidades e colher notas para os seus estudos históricos.

Bem moço ainda, entrou na carreira política, tendo sido eleito, em 1878, deputado provincial pela Bahia. Por indicação do Dr. Aristides César Spínola Zama, seu primo, foi nomeado, de 1879 a 1880, Presidente da Província (Estado) de Goiás, tendo ouvido do imperador D. Pedro II, quando a este foi agradecer a nomeação, elogiosas referências aos predicados morais e intelectuais de que já havia dado provas. Em 1881, na primeira legislatura de eleição direta, representou a sua terra na Assembléia Geral do Império. Ganhando prestígio sempre crescente ante o eleitorado baiano, foi reeleito deputado geral nas legislaturas de 1885 e de 1886 a 1889, sendo que nesta última fora eleito na vaga aberta pela morte de Pedro Carneiro da Silva. Ao ser proclamada a República, em 1889, ocupava ele, o mais jovem dos deputados, o cargo de 1º Secretário da Câmara. No regime republicano, depois de haver pleiteado, por duas vezes, a eleição de deputado federal, só conseguiu ser reconhecido para a de 1909-1911, dando-se neste último ano o seu afastamento definitivo da política, para se consagrar exclusivamente à advocacia e ao estudo e meditação da Doutrina Espírita, que já o contava de há muito entre seus adeptos mais fervorosos, sinceros e esclarecidos. Foi em 1905 que Aristides Spínola ingressou na Federação Espírita Brasileira, convidado pelo então Diretor na Assistência aos Necessitados, Pedro Ricardo.

Eleito para o cargo de vice-presidente, na do Dr. Geminiano Brazil de Oliveira Góis, outro espírita ilustre e fiel, Aristides Spínola desenvolveu naquela Casa toda uma atividade polimorfa e intensa, a ela se dedicando durante vinte e um anos seguidos, amado por todos os companheiros que com ele privaram. Na vice-presidência da FEB permaneceu de 1905 a 1913. Presidente em 1914 e em 1916 e 1917, voltando a exercer o cargo de vice-presidente em 1920 e 1921. Ocupou, de novo, de 1922 a 1924, a direção da Casa, sendo eleito, em 1925, para a vice-presidência, cargo que desempenhou até à data de sua desencarnação, ocorrida aos 9 de Julho do mesmo ano. Foi, assim, presidente da Federação Espírita Brasileira durante seis anos e vice-presidente onze anos e meio. Nunca, porém, solicitou ou disputou nenhum desses cargos, ou qualquer outro da Diretoria da Federação, fazendo questão unicamente de prestar-lhe seus serviços, fosse de que maneira fosse, pronto, declarou-o mais de uma vez, humilde e modesto como de fato sempre foi, a ocupar o de porteiro se só neste o julgassem apto a servir. E dado lhe foi satisfazer amplamente a esse desejo seu, porquanto, desde o primeiro dia em que se incorporou à caravana dos que na Federação laboravam, relevantes e ininterruptos serviços lhe prestou, seja como membro da sua administração, seja fora de qualquer cargo administrativo. O que ele queria era trabalhar. E trabalhou sempre, e muito, e trabalhou bem. Dentre esses serviços merecem destacados os que teve ensejo de dispensar-lhe como advogado, de todas as vezes em que o Espiritismo se viu alvejado pela ciência oficial, sob a forma de perseguições aos médiuns, por exercício ilegal da medicina.

Como jornalista de irrecusável mérito, Aristides Spínola colaborou em vários jornais . No “Diário da Bahia” escreveu as narrativas de algumas de suas excursões realizadas na juventude. Com o pseudônimo Buxton, defendeu, em “A Pedidos” do “Jornal do Comércio “, do Rio, o Ministério Dantas. Foi um dos fundadores, em 1891, do “Jornal do Brasil”, onde teve a seu cargo a parte política. Antes, pertencera à redação de um diário, cremos que a “Gazeta da Tarde “, que fora empastelado em 1897, achando-se Aristides Spínola no edifício do jornal quando essa violência se consumou. Além de alguns escritos inéditos e muitos outros estampados em periódicos espíritas e leigos, são de sua pena, entre outras, as seguintes obras: “Presidência do Barão Homem de Melo. Excursões administrativas”, Bahia 1879; “Relatórios sobre a administração da Província de Goiás, 1879-1880 (2 vols.); “Estudo sobre os índios que habitam as margens do rio Araguaia”, memória em que estuda os índios carajás e que se acha anexa ao relatório da exploração desse rio pelo engenheiro J. R. de Morais Jardim, Rio, 1880; “Orçamento do Ministério da Agricultura”, discurso proferido na sessão da Câmara dos Srs. Deputados, em 13 de Julho de 1882, Rio, 1882; “Elemento Servil”, Discursos proferidos em sessões da Câmara, de 22 de Junho e 4 de Junho de 1883, Rio, 1883. Em 1889, deu a público uma tese que apresentou no Instituto da Ordem dos Advogados do Brasil, versando sobre direitos do comerciante no exercício de sua profissão. Sob os auspícios da Federação Espírita Brasileira, foi editada, em 1902, a tradução que Spínola fez da obra do Dr. E. Gyel: “Ensaio de revista geral e da interpretação sintética do Espiritismo”. Em 1915, com o título “Caridade perseguida”, fez imprimir um memorial de recurso criminal. Sólida erudição espírita, teológica e jurídica projetaram-lhe o nome dentro e fora do campo espírita sendo-lhe admirados o critério e a ponderação com que resolvia os problemas administrativos, bem como o espírito evangélico e conciliador nos mais delicados e controvertidos assuntos.

Antônio Raposo Tavares

Antônio Raposo Tavares nasceu em Beja de São Miguel, no Alentejo, Portugal, por volta de 1598. Filho de Fernão Vieira Tavares, governador da capitania de São Vicente, veio para o Brasil em 1618 e se radicou em São Paulo em 1622. 

As bandeiras de Raposo Tavares, classificadas no grupo das despovoadoras, destinavam-se primordialmente a aprisionar indígenas. Asseguraram também a presença portuguesa, evitando a ampliação do domínio espanhol. Sua primeira expedição, em 1627, seguiu para Guaíra. Visava a expulsar os jesuítas espanhóis e anexar terras ao Brasil. 

De regresso a São Paulo, exerceu o cargo de juiz ordinário em 1633, função que abandonou no mesmo ano pelo cargo de ouvidor da capitania de São Vicente. Foi então excomungado pelos jesuítas, além de deposto pelo governador. Absolvido pela ouvidoria geral do Rio de Janeiro e reposto no cargo, participou de outra expedição em 1636. Nessa ocasião dirigiu-se ao Tape, no centro do atual estado do Rio Grande do Sul. Expulsos os jesuítas, Raposo Tavares voltou a São Paulo, onde era considerado herói. 

Entre 1639 e 1642, Raposo Tavares dedicou-se a ações militares. Como capitão de companhia, integrou o contingente enviado do sul para prestar socorro às forças sitiadas na Bahia. Em missão semelhante esteve em Pernambuco, onde tomou parte na longa batalha naval contra os holandeses. A última e maior de suas bandeiras, em busca de prata, iniciou-se em 1648 e durou mais de três anos. A expedição que percorreu dez mil quilômetros, saiu de São Paulo, seguiu pelo interior do continente, atravessou a floresta amazônica e chegou ao atual estado do Pará. Foi a primeira viagem de reconhecimento geográfico em território brasileiro. Raposo Tavares morreu na cidade de São Paulo em 1658. 

Preparado para enfrentar qualquer bloqueio, Raposo Tavares dividiu a bandeira em duas colunas. A primeira, chefiada por ele próprio, reunia 120 paulistas e 1 200 índios. A segunda, um pouco menor, era comandàda por Antônio Pereira de Azevedo. Viajando separadamente, os dois grupos desceram o Tietê até o rio Paraná, de onde atingiram o Aquidauana. Em dezembro de 1648, reuniram-se às margens do rio Paraguai, ocupando a redução de Santa Bárbara. 
Depois de unificada, a bandeira prosseguiu viagem em abril de 1649, alcançando o rio Guapaí (ou Grande), de onde avançou em direção à cordilheira dos Andes. Estava em plena América espanhola, entre as cidades de Potosí e Santa Cruz de la Sierra (hoje território da Bolívia). Aí permaneceu até meados de 1650, explorando o mais possível a região. De julho de 1650 a fevereiro de 1651, já reduzida a algumas dezenas de homens, empreendeu a etapa final: seguiu pelo Guapaí até o rio Madeira e atingiu o rio Amazonas, chegando ao forte de Gurupá, nas proximidades de Belém. Diz a lenda que os remanescentes da grande expedição chegaram exaustos e doentes ao forte e que, voltando a São Paulo, Raposo Tavares estava tão desfigurado que nem seus parentes o reconheceram. Como resultado da aventura, vastas regiões desconhecidas entre o trópico de Capricórnio e o equador passavam a figurar nos mapas portugueses. 

Raposo Tavares morreu na cidade de São Paulo em 1658. 

Domingos Jorge Velho

Desbravador brasileiro nascido na Vila de Parnaíba, SP, comandante da expedição que destruiu o quilombo dos Palmares e considerado um dos bandeirantes mais ativos do período de caça ao índio. Foi o primeiro desbravador do Piauí, onde chegou através da Bahia, procedente da região de Taubaté e do rio das Velhas. Na realidade um cruel mercenário a soldo das autoridades ou dos criadores de gado do Nordeste. 

A serviço do senhor da Casa da Torre, Francisco Dias de Ávila, encarregou-se do apresamento de índios no sertão do Nordeste. Mais tarde, a serviço de João da Cunha Souto Maior, governador de Pernambuco, preparou e liderou uma grande expedição para combater os negros do quilombo dos Palmares e, com a ajuda de Bernardo Vieira de Melo, Sebastião Dias, Matias Cardoso de Almeida e Cristóvão de Mendonça Arrais, venceu os negros liderados por Zumbi (1694). 

Em seguida, foi designado chefe da expedição organizada para combater a confederação dos cariris, que subjugou indígenas nos estados de Piauí, Ceará e Maranhão. Pelos serviços prestados, o bandeirante recebeu a patente de mestre-de-campo e morreu em Piancó, cidade do alto sertão da Paraíba.

Luiz Gama

Patrono da cadeira nº 15 da Academia Paulista de Letras, poeta, advogado, jornalista e um dos mais combativos abolicionistas de nossa história.

Luís Gonzaga Pinto da Gama era filho da africana livre Luiza Mahin, uma das principais figuras da Revolta dos Malês, com um fidalgo branco de origem portuguesa, de uma rica família baiana, mas amante da boa vida e dos jogos de azar.

Depois que sua mãe foi exilada por motivos políticos, Luís, com apenas 10 anos, foi vendido como escravo pelo próprio pai, sendo levado para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo. Foi comprado pelo alferes Antonio Pereira Cardoso, proprietário de uma fazenda no município de Lorena. Em 1847, o alferes recebeu a visita do jovem estudante Antonio Rodrigues do Prado Júnior, que, afeiçoando-se a Luís, ensinou-o a ler e a escrever.

Em 1848, Luís Gama fugiu, pois sabia que sua situação era ilegal, já que era filho de mãe livre. Após seis anos de uma tumultuada carreira no exército, deu baixa no serviço militar em 1854. Dois anos depois voltou à Força Pública.

Luís Gama inaugurou a imprensa humorística paulistana ao fundar, em 1864, o jornal "Diabo Coxo". Poeta satírico, ocultou-se, por vezes, sob o pseudônimo de Afro, Getulino e Barrabás. Sua principal obra foi "Primeiras trovas burlescas de Getulino", de 1859, onde se encontra a sátira "Quem sou eu?", também conhecida como Bodarrada.

Autodidata, Luís Gama tornou-se advogado e iniciou suas atividades contra a escravidão, conseguindo libertar mais de 500 escravos. É dele a frase: "Perante o Direito, é justificável o crime do escravo perpetrado na pessoa do Senhor". Conhecido como o "amigo de todos", tinha em casa uma caixa com moedas que dava aos negros em dificuldades que vinham procurá-lo.

Influenciou grandes figuras como Raul Pompéia, Alberto Torres e Américo de Campos mas morreu em 24 de agosto de 1882, sem ver concretizada a Abolição.

José do Patrocínio

José Carlos do Patrocínio era filho de uma escrava alforriada e do cônego João Monteiro. Aos 14 anos deixou a fazenda da família para tentar a vida no Rio de Janeiro, onde chegou a ingressar na Escola de Medicina. Ao fim de alguns anos, porém, abandonou o curso e formou-se em farmácia, em 1874.

Ainda estudante , fundou uma revista mensal, "Os Ferrões", onde começou a revelar seu talento como polemista que o tornaria famoso. Em 1877, ingressou na redação de "A Gazeta de Notícias", onde escreveu diversos artigos de propaganda abolicionista.

Em 1881, com dinheiro emprestado pelo sogro, adquiriu a "Gazeta da Tarde", à frente da qual permaneceu por seis anos. Neste jornal, deu início à campanha abolicionista. Em 1887, fundou a "Cidade do Rio", onde intensificou os ataques à política escravocrata.

Não se limitou a lutar apenas por escrito pelo abolicionismo. Realizou conferências públicas, ajudou a fuga de muitos escravos, organizou núcleos abolicionistas, militando ativamente até o triunfo da causa, em 13 de maio de 1888.

Seu prestígio imenso durante os últimos anos do Império decaiu após a proclamação da República, quando passou a lutar por um programa liberal. Acabou afastado da vida pública. Seu jornal, "Cidade do Rio de Janeiro", foi interditado e ele deportado para Cucuí, no Amazonas, sob a acusação de ter participado de uma revolta contra o governo de Floriano Peixoto.

Libertado pouco tempo depois, afastou-se da vida pública, colaborando esporadicamente na imprensa. Nos últimos anos de vida interessou-se pela navegação aérea, chegando a construir um aeróstato denominado Santa Cruz.

Patrocínio também escreveu obras de ficção, mas sem a repercussão nem o talento do jornalista. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de no. 21, que tinha Joaquim Serra como patrono.

Marquês de Sapucaí

Cândido José de Araújo Viana, primeiro e único visconde com grandeza e marquês de Sapucaí, (Nova Lima, então Congonhas de Sabará, 15 de setembro de 1793 — Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 1875) foi um juiz de fora, desembargador e político brasileiro.

Foi ministro da fazenda e ministro da justiça, conselheiro de estado, deputado geral, presidente de província e senador de 1840 a 1875, eleito pela província de Minas Gerais. Ocupou a presidência do senado de 1851 a 1853. Bacharel em direito, foi deputado constituinte em 1823 e deputado geral representando Minas Gerais por três mandatos. Ocupou as presidências das províncias de Alagoas e do Maranhão. Foi ainda procurador da coroa, fiscal do tesouro e ministro do Supremo Tribunal de Justiça, ministro da fazenda e nomeado membro extraordinário do Conselho de Estado a partir da data de sua criação.

Em 1839, foi nomeado mestre de literatura e ciências positivas de D. Pedro II (então herdeiro do trono); posteriormente, também cuidou da educação da Princesa Isabel. Como Ministro do Império no segundo Gabinete conservador (1841-1843), referendou a lei que dava aos senadores o solene tratamento de "Sua Excelência". Condecorado como dignitário da Imperial Ordem de Cristo e da Rosa, além de grã-cruz da Ordem da Torre e Espada e da Legião de Honra. Recebeu do imperador o título de visconde em 1854 e de marquês em 1872. Era do Conselho de Sua Majestade, Gentil-Homem da Imperial Câmara e Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial.

Euclides da Cunha

Escritor brasileiro nasceu no dia 20 de janeiro de 1866, no Rio de Janeiro e faleceu no dia 15 de Agosto de 1909, no Distrito Federal. Iniciou seus estudos no Rio de Janeiro, ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha na mesma capital. da qual se afastou antes de concluir o curso. Foi readmitido na Escola, após a proclamação da República, na qual se formou engenheiro militar em 1892. Veio para São Paulo, deixando o exército. Construiu obras públicas no interior de São Paulo a serviço do Governo Paulista. Trabalhou sobre a direção do Barão do Rio Branco, no Ministério do Exterior. Em 1897, o jornal “O Estado de São Paulo” encarregou-o de fazer a cobertura jornalística da Guerra de Canudos, Bahia. causada por Antônio Conselheiro. Seu primeiro livro foi escrito nesta época “Os Sertões” publicado em 1902 que o consagraria como escritor. 

Publicou alguns artigos na Gazeta de Notícias. Volta a exercer a funçâo de engenheiro civil em São Paulo, Santos, São José do Rio Preto, seguindo depois para o Amazonas, como chefe da Comissão Brasileira do Alto Purus, para o reconhecimento de fronteiras. Instala-se no Rio de Janeiro em 1907. Foi eleito para o Instituto Histórico e para a Academia Brasileira de Letras em 1909, além de nomeado Catedrático de Lógica do Colégio Pedro II, Foi morto a tiros por questões familiares no subúrbïo de Piedade, em 15 de agosto de 1909. Escreveu também poesias, artigos e ensaios, publicados em jornais e revistas. Suas obras de destaque: Os Sertões, Contrastes e Confrontos, Peru versus Bolívia, A Margem da História do Alto Purus, Castro Alves e Seu Tempo, etc. Seu nome: Euclídes Rodrigues Pimenta da Cunha.

Vinícius de Moraes

Marcus Vinicius da Cruz Mello Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Atraído pela música desde cedo, Vinícius de Moraes teve seu primeiro poema musical publicado na revista A Ordem, em 1932. Morreu também no Rio de Janeiro, a 9 de julho de 1980. Os primeiros passos de sua carreira estão ainda sob influências neo- simbolistas, contendo certo misticismo. Porém, logo modificou seu estilo para o erotismo, em contraste à suas obras de tom bíblicas anteriores. Nesta segunda fase, Vinícius de Moraes é caracterizado por inovações na ordem formal, a mais notável destas seria o aparecimento dos sonetos. 

Revela também, nesta segunda fase, uma valorização para o momento, com as coisas acontecendo de repente. Seus poemas trabalharam também com a felicidade e/ou a infelicidade muitas vezes, também. O autor procurou também escrever algumas poesias no ramo social. Fez também importante colaboração para a música nacional, cantando no estilo bossa nova. 

Aurélio Lyra

Aurélio de Lyra Tavares nasceu na cidade da Paraíba (atual João Pessoa), na Paraíba, em 7 de novembro de 1905. Militar, fez parte do Estado-Maior do Exército (1943), onde foi encarregado de organizar a FEB (Força Expedicionária Brasileira) e comandou o 4º Exército pelo período de governo de Castello Branco. Em 1966, assumiu a ESG (Escola Superior de Guerra) e, durante o governo Costa e Silva, foi nomeado ministro do Exército (1967-1969). 


Exerceu o cargo de presidente da república numa junta composta pelos ministros Augusto Hamann Rademaker Grünewald, da Marinha, Aurélio de Lyra Tavares, do Exército, e Márcio de Sousa e Mello, da Aeronáutica, em 31 de agosto de 1969, quando o presidente Artur da Costa e Silva foi afastado devido a uma trombose cerebral. A nomeação da junta composta por militares foi feita pelo Alto Comando das Forças Armadas, que temia a abertura do Congresso e suspenção dos atos institucionais que vigoravam. 


Este período teve grande conturbação política, incluindo o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick no Rio de Janeiro, em 4 de setembro de 1969, por movimentos rebeldes ALN (Ação Libertadora Nacional) e do MR-8 (Movimento Revolucionário 8). Entre outras exigências, os militantes exigiam a libertação de presos políticos. O governo atendeu a condição dos sequestradores e libertou 15 pessoas em troca do embaixador. 


Após o episódio, o governo militar decretou mais dois atos institucionais, o AI-13, que estabeleceu a pena de banimento em caso de ameaça à segurança do Estado e o AI-14, que instituiu a pena de morte e prisão perpétua para casos de guerra revolucionária ou subversiva. 


Em outubro de 1969, a junta militar editou o AI-16, que extinguiu o mandato do presidente Costa e Silva e de seu vice Pedro Aleixo e criou um calendário para a nova eleição presidencial. Numa manobra política para acabar com a oposição à indicação do general Emílio Garrastazu Médici, foi instituído ainda o AI-17, que mandava para a reserva os militares considerados ameaçadores à coesão das forças armadas. 


Ainda com o objetivo de reprimir os movimentos de esquerda, a junta editou a emenda constitucional número 1 ao AI-5, um dos mais populares dos atos, que foi criado em 1967 instituindo a censura, através da qual aumentavam os poderes punitivo e repressivo do Estado. Em 22 de outubro de 1969, o Congresso Nacional foi reaberto para eleger Emílio Médici como presidente e Augusto Rademaker, como vice. 


Em abril de 1970, Aurélio Lyra foi eleito membro da ABL (Academia Brasileira de Letras) e, em junho, nomeado embaixador do Brasil na França, cargo que ocupou até dezembro de 1974. Faleceu em 18 de novembro de 1998.

Castro Alves

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na fazenda Cabaceiras, antiga freguesia de Muritiba, perto da vila de Curralinho, hoje cidade Castro Alves, no Estado da Bahia, a 14 de março de 1847 e morreu na cidade de Salvador, no dia 6 de julho de 1871. O mais brilhante dos poetas românticos brasileiros. Chamado cantor dos escravos pelos seus poemas de combate à escravidão negra no Brasil. Viveu os primeiros anos da juventude no interior do sertão. Era filho do médico Antônio José Alves, mais tarde professor na Faculdade de Medicina de Salvador, e de Clélia Brasília da Silva Castro, falecida quando o poeta tinha 12 anos. 


Por volta de 1853, ao mudar-se com a família para a capital, estudou no colégio de Abílio César Borges, futuro Barão de Macaúbas, onde foi colega de Rui Barbosa, demonstrando vocação apaixonada e precoce para poesia. Aos dezesseis anos foi para o Recife, estudar Direito. Começou desde logo a patentear uma notável vocação poética e a demonstrar dotes oratórios pouco comuns, que mais tarde fizeram dele um dos arautos do movimento abolicionista e da causa republicana. Escreveu poesia lírica, e também poesia de caráter social, em favor da abolição da escravatura. Participou ativamente da vida estudantil e literária. Tendo grande animação pelo teatro, em 1867, conheceu a atriz portuguesa Eugênia Câmara, dez anos mais velha do que ele, por quem se apaixonou, com ela seguindo para Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, e em sua homenagem escreveu o drama em prosa Gonzaga ou A Revolução de Minas, que ela representou. De passagem pelo Rio de Janeiro, conheceu Machado de Assis, que o introduziu nos meios literários. Em São Paulo cursa o 3º ano da Faculdade de Direito. Comçam então os primeiros desentendimentos amorosos do casal. Os amores pela atriz continuaram, mas não foram por ela correspondidos. Abraçando a caça nos bosques da Lapa, o poeta procurava esquecer os aborrecimentos, que lhe adivinham das desavenças com atriz. Em 1968, numa dessas caças feriu-se com um tiro de espingarda no pé direito. Foi conduzido para o Rio de Janeiro, teve o pé amputado. Daí passou a caminhar apoiado numa bengala, utilizando um pé de borracha. 


Como já a tuberculose o afligia, teve seus males agravados pelo acidente. Em 1870 dirigiu-se para a Bahia, onde publica Espumas Flutuantes. Falece em Salvador. Predominante poeta romântico, foi influenciado por Byron e Vitor Hugo. Pertenceu à Escola Condoreira. O inolvidável poeta, que foi um dos mais acerbos defensores da emancipação da escravatura no Brasil, é o patrono da cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras. Obras de Antônio Castro Alves (1847 - 1871): Espumas Flutuantes, Os Escravos, A Cachoeira de Paulo Afonso e o drama Gonzaga ou A Revolução de Minas, Vozes da África e Navio Negreiro são a sua expressão máxima e poesia.

Márcio Mello

Marcio de Souza e Mello nasceu em Florianópolis, Santa Catarina, em 26 de maio de 1906. Atuou como militar em Buenos Aires e em Montevidéu. Foi nomeado ministro da Aeronáutica em 1964, mas exerceu o cargo por apenas 22 dias devido a divergências com o presidente Castello Branco. Voltou ao cargo na gestão de Costa e Silva.

Exerceu o cargo de presidente da República numa junta composta pelos ministros Augusto Hamann Rademaker Grünewald, da Marinha, Aurélio de Lyra Tavares, do Exército, e Márcio de Sousa e Mello, da Aeronáutica, em 31 de agosto de 1969, quando o presidente Artur da Costa e Silva foi afastado devido a uma trombose cerebral. A nomeação da junta composta por militares foi feita pelo Alto Comando das Forças Armadas, que temia a abertura do Congresso e suspenção dos atos institucionais que vigoravam.

Este período teve grande conturbação política, incluindo o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick no Rio de Janeiro, em 4 de setembro de 1969, por movimentos rebeldes ALN (Ação Libertadora Nacional) e do MR-8 (Movimento Revolucionário 8). Entre outras exigências, os militantes exigiam a libertação de presos políticos. O governo atendeu a condição dos sequestradores e libertou 15 pessoas em troca da liberdade do embaixador.

Após o episódio, o governo militar decretou mais dois atos institucionais, o AI-13, que estabeleceu a pena de banimento em caso de ameaça à segurança do Estado e o AI-14, que instituiu a pena de morte e prisão perpétua para casos de guerra revolucionária ou subversiva.

Em outubro de 1969, a junta militar editou o AI-16, que extinguiu o mandato do presidente Costa e Silva e de seu vice Pedro Aleixo e criou um calendário para a nova eleição presidencial.

Numa manobra política para acabar com a oposição à indicação do general Emílio Garrastazu Médici, foi instituído ainda o AI-17, que mandava para a reserva os militares considerados ameaçadores à coesão das forças armadas.

Ainda com o objetivo de reprimir os movimentos de esquerda, a junta editou a emenda constitucional número 1 ao AI-5, um dos mais populares que foi criado em 1967 instituindo a censura, através da qual aumentavam os poderes punitivo e repressivo do Estado. Em 22 de outubro de 1969, o Congresso Nacional foi reaberto para eleger Emílio Médici como presidente e Rademaker Grünewald, como vice.

Márcio Mello foi novamente ministro da Aeronáutica durante o governo Médici, mas pediu exoneração do cargo em 26 de novembro de 1971. Morreu no Rio de Janeiro, em 31 de janeiro de 1991.

Augusto Fragoso

O general Augusto Tasso Fragoso, mais conhecido por Tasso Fragoso (São Luís, 28 de agosto de 1869 — Rio de Janeiro, 20 de setembro de 1945) foi um militar e escritor brasileiro, chefe da Junta Governativa Provisória de 1930, que assumiu o governo do Brasil depois que Washington Luís foi deposto em 24 de outubro de 1930 por um golpe de estado liderado por Tasso Fragoso, o qual impediu o presidente eleito Júlio Prestes de assumir a presidência da república e a entregou a Getúlio Vargas em 3 de novembro de 1930.

Mena Barreto

João de Deus Mena Barreto nasceu em Porto Alegre, no dia 30 de julho de 1874. Militar, participou da Revolução Federalista. Em 1900, foi promovido a tenente, depois de ingressar na Escola Militar do Brasil, situada no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Em 1911, tornou-se adjunto do ministro da Guerra, marechal Antônio da Fontoura, seu tio.

Na década de 1920, com o início do movimento tenentista, destacou-se no comando de tropas incumbidas de deter o avanço dos revoltosos. Por sugestão sua, passou a ser comemorado a partir de 1925 o Dia do Soldado em 25 de agosto. Era inspetor do 1º Grupo de Regiões Militares quando eclodiu a Revolução de 1930 e passou a chefiar as operações que culminaram com a derrubada do governo de Washington Luís. Formou, com outros oficiais, uma junta governativa até a posse de Getúlio Vargas. Com a vitória da Revolução, exerceu o cargo de interventor federal no Rio de Janeiro de maio a agosto de 1931, quando foi nomeado ministro do Superior Tribunal Militar (STM). Faleceu no exercício deste cargo, em 25 de março de 1933.

Isaías de Noronha

Isaías de Noronha nasceu na capital do Rio de Janeiro no dia 6 de julho de 1873. Militar, participou da junta governativa composta também pelo general Augusto Fragoso e pelo almirante Mena Barreto, que liderou a Revolução de 30 depondo o então presidente Washington Luís.

Os três militares ficaram no comando do país por poucos dias, de 24 de outubro a 2 de novembro de 1930, quando foram obrigados a entregar o poder a Getúlio Vargas, que assumiu a presidência em 3 de novembro de 1930 com o apoio popular e de movimentos militares de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 29 de janeiro de 1963.

Visconde de Tremembé

Nasceu em Tremembé, no dia 16 de dezembro de 1830, filho do comendador Francisco Alves Monteiro e de Teodora Joaquina de Moura. Foi proprietário de várias fazendas produtoras de café, a fazenda São José do Buquira, no atual município de Monteiro Lobato, herdada pelo neto, o escritor Monteiro Lobato. Em Taubaté, sua propriedade, conhecida como "Chácara do Visconde", tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sedia o Museu Histórico e Pedagógico "Monteiro Lobato", ali nascido. Fundou em sociedade com seu irmão o Visconde de Mossoró (José Francisco Monteiro), uma casa bancária em Taubaté, denominada José Francisco Monteiro & Irmão, e foi sócio da firma comissária de café Miranda & Tremembé. Chefe do Partido Liberal em Taubaté, exerceu a vereança no quatriênio 1861-1865, sendo um dos construtores do Chafariz Municipal. Reelegendo-se, ocupou a presidência da Câmara no período de 1865-1869.

A 10 de agosto de 1867 apresentou à presidência da Câmara Municipal um projeto para a iluminação pública da cidade de Taubaté, tendo executado a obra. Participou ativamente da comissão encarregada de angariar dinheiro e recrutar voluntários para a Guerra do Paraguai, sendo agraciado pelo Imperador Dom Pedro II no dia 30 de maio de 1868, com o título de Barão de Tremembé. Foi um dos acionistas e colaborador na sociedade que construiu e explorou o Teatro São João, no antigo Largo da Princesa Imperial. Colaborou com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Taubaté, mantenedora do Hospital Santa Isabel, e participou ativamente da fundação do Instituto Taubateano de Agricultura, Artes e Ofícios, sendo membro do Conselho Diretor da Sociedade Protetora dessa instituição.

Cedeu uma de suas casas para o funcionamento do Ginásio Taubateano. Em 1878, hospedou em seu palacete os Imperadores Dom Pedro II e Theresa Cristina e os Condes D'Eu, quando de sua viagem à província de São Paulo. A Princesa Imperial Regente, Dona Isabel, o agraciou no dia 7 de maio de 1887, com o título de Visconde de Tremembé. Seu nome está ligado a importantes melhoramentos na cidade de Taubaté: fundador e diretor da Companhia de Gás e Óleos Minerais de Taubaté (1883), acionista da Companhia de Bondes a Vapor entre Taubaté e Tremembé, que transportava passageiros e o xisto betuminoso das minas de Tremembé para o gasômetro de Taubaté. Foi coronel da Guarda Nacional no município de Taubaté. Casou-se com Maria Belmira de França Monteiro, filha de José Belmiro de França e de Maria Joaquina Ferreira França. Não tendo filhos com a Viscondessa, legitimou três filhos nascidos em Taubaté, antes de seu casamento:
  • Dr. José Francisco Monteiro Júnior, casado com Adélia Monteiro.
  • Olympia Augusta Monteiro, casada com seu primo José Bento Monteiro Lobato, pais do escritor Monteiro Lobato.
  • Dr. Francisco Alves Monteiro Neto, falecido em Paris aos 23 anos de idade.
O Visconde de Tremembé foi deputado provincial na legislatura 1862-1863 e vice-presidente da província de São Paulo, entre 1833 e 1888. Foi um dos pioneiros na fundação e estabelecimento de colônias agrícolas em suas fazendas de Taubaté e Tremembé. Faleceu no dia 29 de março de 1911, estando sepultado na capela dos Monteiro, no Cemitério da Venerável Ordem Terceira Franciscana de Taubaté.

Monteiro Lobato

A 18 de abril de 1882 em Taubaté, estado de São Paulo, nasce o filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Augusta Monteiro Lobato. Recebe o nome de José Renato Monteiro Lobato, que por decisão própria modifica mais tarde para José Bento Monteiro Lobato desejando usar uma bengala do pai gravada com as iniciais J. B. M. L.
Juca era assim chamado – brincava com suas irmãs menores Ester e Judite. Naquele tempo não havia tantos brinquedos; eram toscos, feitos de sabugos de milho, chuchus, mamão verde, etc...

Adorava os livros de seu avô materno, o Visconde de Tremembé.

Sua mãe o alfabetizou, teve depois um professor particular e aos sete anos entrou num colégio. Leu tudo o que havia para crianças em língua portuguesa. Em dezembro de 1896, presta exames em São Paulo, das matérias estudadas em Taubaté. Aos 15 anos perde seu pai, vítima de congestão pulmonar e aos 16 anos sua mãe. No colégio funda vários jornais, escrevendo sob pseudônimo. Aos 18 anos entra para a Faculdade de Direito por imposição do avô, pois preferia a Escola de Belas-Artes. É anticonvencional por excelência, diz sempre o que pensa, agrade ou não. Defende a sua verdade com unhas e dentes, contra tudo e todos, quaisquer que sejam as conseqüências. Em 1904 diploma-se Bacharel em Direito, em maio de 1907 é nomeado promotor em Areias, casando-se no ano seguinte com Maria Pureza da Natividade (Purezinha), com quem teve os filhos Edgar, Guilherme, Marta e Rute. Vive no interior, nas cidades pequenas sempre escrevendo para jornais e revistas, Tribuna de Santos, Gazeta de Notícias do Rio e Fon-Fon para onde também manda caricaturas e desenhos. Em 1911, morre seu avô, o Visconde de Tremembé, e dele herda a fazenda de Buquira, passando de promotor a fazendeiro. A geada, as dificuldades, levam-no a vender a fazenda em 1917 e a transferir-se para São Paulo. Mas na fazenda escreveu Jeca Tatu, símbolo nacional. Compra a Revista Brasil e começa a editar seus livros para adultos. Urupês inicia a fila, em 1918.

Surge a primeira editora nacional Monteiro Lobato & Cia, que se liquidou transformando-se depois em Companhia Editora Nacional sem sua participação. Antes de Lobato os livros no Brasil eram impressos em Portugal; com ele inicia-se o movimento editorial brasileiro. Em 1931, volta dos Estados Unidos da América do Norte, pregando a redenção do Brasil pela exploração do ferro e do petróleo. Começa a luta que o deixará pobre, doente e desgostoso. Havia interesse oficial em se dizer que no Brasil não havia petróleo. Foi perseguido, preso e criticado porque teimava em dizer que no Brasil havia petróleo e que era preciso explorá-lo para dar ao seu povo um padrão de vida à altura de suas necessidades. Já em 1921, dedicou-se à literatura infantil. Retorna a ela, desgostoso dos adultos que o perseguem injustamente. Em 1945, passou a ser editado pela Brasiliense onde publica suas obras completas, reformulando inclusive diversos livros infantis.

Com Narizinho Arrebitado lança o Sítio do Pica-pau Amarelo e seus célebres personagens.

Através de Emília diz tudo o que pensa; na figura do Visconde de Sabugosa critica o sábio que só acredita nos livros já escritos.
Dona Benta é o personagem adulto que aceita a imaginação criadora das crianças, admitindo as novidades que vão modificando o mundo, Tia Nastácia é o adulto sem cultura, que vê no que é desconhecido o mal, o pecado. Narizinho e Pedrinho são as crianças de ontem, hoje e amanhã, abertas a tudo, querendo ser felizes, confrontando suas experiências com o que os mais velhos dizem, mas sempre acreditando no futuro. E assim, o Pó de Pirlimpimpim continuará a transportar crianças do mundo inteiro ao Sítio do Pica-pau Amarelo, onde não há horizontes limitados por muros de concreto e de idéias tacanhas.

Em 5 de julho de 1948, perde-se esse grande homem, vítima de colapso, na Capital de São Paulo. Mas o que tinha de essencial, seu espírito jovem, sua coragem, está vivo no coração de cada criança.

Viverá sempre, enquanto estiver presente a palavra inconfundível "Emília".

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