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César Lattes

Um dos mais famosos cientistas brasileiros de todos os tempos, Cesare Mansueto Giulio Lattes revolucionou o estudo da física no país. Pesquisador que confirmou a existência da partícula conhecida como méson pi, começou a crescer profissionalmente quando foi morar em Londres e passou a trabalhar no Laboratório H. H. Wills, na Universidade de Bristol, que era comandado pelo físico Cecil Powell (1903/1969).

Extremamente curioso, César Lattes, embora com apenas 23 anos quando foi morar em Londres, percebeu que praticamente todos os funcionários do laboratório tentavam capturar os estilhaços produzidos pelo choque de partículas ultraenergéticas, mais conhecidos como raios cósmicos. Com uma ótima formação teórica (teve aulas na USP com integrantes da equipe de Powell), o brasileiro solicitou da Kodac que colocasse um pouco mais do elemento químico boro na composição das chapas, e deu algumas delas para funcionários do laboratório que pretendiam esquiar na França.

Ao retornar para a capital inglesa, um dos funcionários notou as primeiras evidências de uma partícula que muitos pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos tentavam identificar: o méson pi (ou píon). Então, ao ser comunicado do que tinha acontecido, César Lattes, sem contar nada a ninguém, escreveu um artigo científico e o encaminhou para publicação. A descoberta revelava a partícula responsável pelo comportamento das forças nucleares.

Começava ali a fama internacional do cientista brasileiro. Em seguida, César Lattes calculou a massa do méson pi e foi trabalhar em Berkeley, Califórnia. Nos Estados Unidos, ao lado do seu colega norte-americano Eugene Gardner (1913/1950), Lattes identificou as trajetórias dos píons produzidos no acelerador de partículas da Universidade da Califórnia.
Antes de morar em São Paulo, Lattes estudou em Curitiba. Ingressou no Departamento de Física da Faculdade de Filosofia e Ciências e Letras da USP, concluindo o bacharelado em 1943. Foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Estadual de Campinas.

No final dos anos 40 idealiza em La Paz, Bolívia, um laboratório de Física Cósmica, que, em pouco tempo, se transforma em centro científico internacional, abrigando pesquisadores de quase todos os continentes. Membro da Academia Brasileira de Ciências, da União Internacional de Física Pura e Aplicada, do Conselho Latino-Americano de Raios Cósmicos, das Sociedades Brasileira, Americana, Alemã, Italiana e Japonesa de Física, entre outras associações, César Lattes recebeu muitas homenagens no Brasil e no exterior.

Entre prêmios, medalhas e comendas, recebeu, no Brasil, o Prêmio Einstein de 1950, o Prêmio Fonseca Costa, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), em 1958, a Medalha Santos Dumont em 1989, a Medalha comemorativa dos 25 anos da SBPC e placa comemorativa dos 40 anos dessa sociedade, o símbolo do Município de Campinas, em 1992.

Carlos Chagas

Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas, médico e bacteriologista; brasileiro, nasceu em Oliveira, Minas Gerais no dia 9 de Julho de 1879, e faleceu no Rio de Janeiro no dia 8 de Novembro de 1934. Ingressou na Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro depois de concluir o curso preparatório. Dedicou-se aos serviços de profilaxia do interior. O sucesso que obteve no combate à malária tornou-o conhecido e respeitado. Foi admitido em 1907 no Instituto Osvaldo Cruz em Manguinhos. Foi constituído uma comissão afim de efetuar estudos sobre uma tripanossomíase endémica, constada no interior brasileiro cuja chefia designou-se Carlos Chagas.

Em 1909, Carlos Chagas conseguiu descobrir o agente causador dessa terrível doença, denominou-a “Tripanosoma Cruzi” em homenagem a Osvaldo Cruz. Sua descoberta não ficou somente aí, foi mais além, demonstrando que tal doença era transmitida por um inseto chamado “Barbeiro” (Triatoma Megista) hoje conhecida como doença de Chagas, numa justa homenagem ao grande bacteriologista. Em 1911 foi-lhe concedido o prêmio Schaudim, conferido por um juri internacional ao melhor trabalho sobre Protozoologia e Microbiologia. Comissionado novamente em 1912 à chefia dos Estudos da Malária no Vale do Amazonas. Nomeado Diretor do Instituto Osvaldo Cruz. Por ocasião da gripe espanhola em 1918, Carlos Chagas demoradamente, dirigiu a Campanha de Saneamento.

Diretor Geral do Departamento Nacional de Saúde Pública, foi ainda Professor de Medicina Tropical da Universidade do Rio de Janeiro. Bibliografia: Estudos Hematoçógicos no Impaludismo; Profilaxia Anti-pulúcida. Pesquisador nato e uma dedicação completa quando realizava o seu trabalho altruísta, deu continuidade à obra de Osvaldo Cruz.

Oswaldo Cruz

Oswaldo Gonçalves Cruz doutorou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1892. Em 1896 partiu para Paris, onde fez estágio no Instituto Pasteur.

Voltou para o Brasil em 1899, quando foi convidado a organizar um laboratório destinado a preparar vacinas contra a peste bubônica, que irrompera em Santos (Estado de São Paulo) e em outras cidades portuárias. Assume, assim, a direção do Instituto Soroterápico, mais tarde denominado Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos - e, depois, Instituto Oswaldo Cruz.

Nomeado diretor-geral da Saúde Pública, em 1903, no governo do presidente Rodrigues Alves, teve a tarefa, dentre outras, de combater a febre amarela, que, em 1902, registrara 984 casos no Rio de Janeiro.

Iniciou, então, rigorosa campanha de combate ao mal, com isolamento de doentes, vacinação obrigatória e combate implacável aos focos de mosquitos. A campanha sofria cerrada oposição da parte de políticos, dos positivistas e de vários jornais. Em consequência, estoura, finalmente, uma rebelião na Escola Militar, com repercussão em toda a cidade - a Revolta da Vacina.

A rebelião chegou a ameaçar de deposição o presidente da República, mas foi subjugada pelo comandante da guarnição federal, general Hermes Rodrigues da Fonseca. A campanha de vacinação prosseguiu, fazendo com que o número de óbitos caísse gradualmente até 1908, quando nenhum caso de febre amarela é registrado no Rio de Janeiro.

Fama e morte prematura
Oswaldo Cruz representou o Brasil no 14º Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim, em 1907, quando apresentou os trabalhos desenvolvidos no Instituto de Manguinhos. O júri do congresso decide, então, dar - entre os 123 participantes da reunião - o primeiro prêmio ao Brasil (prêmio, aliás, pela primeira vez concedido a uma instituição estrangeira).

Depois de se afastar da Diretoria de Saúde Pública, Oswaldo Cruz aceita, em 1910, o convite para estudar o saneamento da região em que se construía a estrada de ferro Madeira-Mamoré. Passa um mês na região, que percorre minuciosamente, fazendo amplo levantamento das doenças. Graças às suas conclusões, a construção da ferrovia pôde ser levada adiante.

Eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupou a cadeira nº 5, deixada pelo poeta Raimundo Correia.

Oswaldo Cruz faleceu prematuramente, aos 44 anos, de insuficiência renal.

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