Mostrando postagens com marcador Família Imperial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família Imperial. Mostrar todas as postagens

Conde d'Eu

Com a ajuda de sua irmã, dona Francisca, princesa de Joinville, o imperador Dom Pedro II buscou príncipes da Casa real francesa para casar com suas filhas, Isabel e Leopoldina. Os noivos que vieram eram irmãos: Luis Felipe (o conde d'Eu) e Augusto de Saxe, netos do rei da França, Luis Felipe. As princesas tomaram a liberdade de escolher o seu par quando eles chegaram ao Brasil, em 1864.

Naquele ano, o Brasil estava em guerra contra o Paraguai. Ao se casar com Isabel, o conde d'Eu se tornou marechal do Exército. O jovem estava ansioso para entrar em combate, porém, teve que coordenar as operações do Rio de Janeiro porque o Exército brasileiro não admitia o comando de um estrangeiro.

A doença do duque de Caxias, em 1869, permitiu a Dom Pedro II colocar o genro à frente das tropas no campo de batalha, numa operação de guerra e campanha de propaganda para fortalecer o Império Brasileiro. O conde comandou os soldados nas vitórias decisivas de Peribebuí e Campo Grande, nas quais morreram mais de cinco mil paraguaios. Em agosto de 1869, a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) instalou em Assunção o governo provisório e fantoche do paraguaio Cirillo Antônio Rivarola.

Dois destacamentos foram enviados em perseguição ao presidente paraguaio Solano López, que fugira para o Norte do país, com 200 homens. Em primeiro de março de 1870, as tropas do general José Antônio Correia da Câmara atacaram o último acampamento paraguaio em Cerro Corá, onde Solano López foi morto.

O conde d'Eu voltou ao Rio de Janeiro com as honras de herói nacional e uma fama de comandante sanguinário. Mas a frágil Monarquia brasileira não tinha futuro. Apesar de a família imperial simpatizar com políticos liberais, a entrada do regime republicano foi apenas questão de tempo. O conde d'Eu, em especial, era uma figura mal vista pelos políticos brasileiros, pois acreditavam que ele seria o verdadeiro poder por trás da esposa, caso a princesa Isabel se tornasse rainha.

Os momentos finais aconteceram em um baile na Ilha Fiscal, na baía da Guanabara, em 9 de novembro de 1889. A festa com três mil convidados, em que champanhe e vinho francês jorraram, era para comemorar oficiosamente as bodas de prata da princesa e do conde.

A República foi proclamada seis dias depois e a nobreza foi para o exílio, na Europa. Já viúvo, o conde retornou ao Brasil em 1921, para enterrar os restos do imperador e da imperatriz Tereza Cristina em um mausoléu em Petrópolis, Rio de Janeiro. Ele morreu no ano seguinte, quando voltava ao Brasil para a celebração do primeiro centenário da Independência.

Teresa Cristina

A mulher que deu nome à cidade de Imperatriz nasceu em 14 de março de 1822, em Nápoles, uma das principais cidades italianas, hoje com pouco mais de 1 milhão de habitantes. Sua Alteza Imperial Dona Teresa Cristina Maria de Bourbon era a filha mais nova do rei Francisco 1º e de sua segunda mulher, Dona Maria Isabel de Bourbon.

Em 1842, Teresa Cristina casou-se por procuração com o Imperador Dom Pedro 2º. Em 1843 veio para o Brasil, juntar-se ao marido. O casal teve quatro filhos: Afonso, que nasceu em 1845 e viveu só dois anos; Isabel (a princesa que assinou a Lei Áurea), nascida em 1846 e falecida em 1921; Leopoldina, que nasceu em 1847 e faleceu em 1871; e Pedro Afonso, que nasceu em 1848 e também viveu só dois anos.

A imperatriz Teresa Cristina era uma mulher de grande cultura. Chamada "a Imperatriz arqueóloga", também cultivava outros campos da Cultura, entre eles Artes, Religião e Música. Quando mudou-se para o Brasil, trouxe em sua companhia artistas, intelectuais, cientistas, artesãos e coleções de obras, objetos e documentos de grande valor. Apoiou brasileiros como o músico Carlos Gomes, a quem enviou para estudar na Europa.

Era muito discreta e avessa às pompas da corte imperial. Dotada de enorme sensibilidade humana, não se recusava a atender pessoas doentes e carentes. Foi tão amada no Brasil que chegou a ser chamada de "Mãe de Todos os Brasileiros".

Viveu 46 anos no Brasil. Com a proclamação da República -- e, portanto, fim do governo imperial --, foi para a cidade de Porto, em Portugal, onde faleceu em 28 de dezembro de 1889.

Além da maranhense Imperatriz, outras cidades brasileiras têm seu nome dado em homenagem a Teresa Cristina, como, por exemplo, Teresina, capital do Piauí (o nome "Teresina" é um diminutivo de "Teresa"), Teresópolis, no Rio de Janeiro (o nome "Teresópolis" significa "cidade de Teresa") e Santo Amaro da Imperatriz, município de Santa Catarina.

Maria Leopoldina

Maria Leopoldina foi arquiduquesa da Áustria, imperatriz do Brasil entre 1822 e 1826, e rainha de Portugal por oito dias, em 1826.

A arquiduquesa Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena, que no Brasil iria adotar os nomes de Leopoldina e Maria Leopoldina, era a sexta filha do segundo casamento de Francisco 1o, imperador da Áustria, e 2o da Alemanha (1768-1835) com Maria Teresa de Bourbon-Sicília (1772-1807).

Desde pequena, Leopoldina recebeu uma educação esmerada, adquirindo conhecimentos científicos, políticos, históricos e artísticos, além de aprender idiomas estrangeiros, especialmente o francês. Aos 10 anos ficou órfã de mãe e um ano depois seu pai se casou com Maria Ludovica, que faleceu em 1816. Abalada com a morte da madastra, Leopoldina sofreu mais duas perdas quando suas irmãs Maria Luisa e Maria Clementina deixaram a pátria para se casar.

No final de 1816, começaram as negociações de seu casamento com o príncipe herdeiro do trono português, Pedro de Alcântara, filho de dom João 6o e Carlota Joaquina. Através desse casamento, Portugal ligaria a Casa de Bragança a uma das mais fortes monarquias européias, além da possibilidade de se livrar do jugo político da Inglaterra. Já para a Áustria, era a possibilidade de participar do comércio de produtos tropicais.

Em maio de 1817, celebrou-se o casamento por procuração. Em dezembro, dona Leopoldina chegava ao Brasil. Em nove anos de casamento, ficaria grávida nove vezes, com dois abortos e sete filhos, dos quais o mais novo, Pedro de Alcântara (1825-1891), sucederia o pai no trono brasileiro.

Após a Revolução do Porto de 1820, e o regresso de dom João 6o a Portugal em abril de 1821, dom Pedro assumiu como regente. No Brasil, surgiram manifestações de descontentamento, aos primeiros sinais de tentativa de recolonização, com a transferência de importantes setores da administração para Lisboa. Com a mulher, dom Pedro informava-se de muitas coisas da Europa. Além de uma boa visão política, ela era a pessoa que mais podia influenciar o príncipe a renunciar à idéia do retorno a Portugal.

Após amplas manifestações de apoio à permanência do regente, dom Pedro anuncia sua decisão, em 9 de janeiro de 1822, o "Dia do Fico". Em 1º de agosto, declarou inimigas todas as tropas enviadas de Portugal sem o seu consentimento. Com a iminência de uma guerra civil, que pretendia separar a Província de São Paulo do resto do Brasil, no dia 13 de agosto de 1822, dom Pedro passou o poder a Dona Leopoldina, nomeando-a chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil, com todos os poderes legais para governar o país durante a sua ausência e partiu para São Paulo.

Nesse ínterim, a princesa regente recebeu notícias que Portugal estava preparando uma ação contra o Brasil. Sem tempo para aguardar a chegada de dom Pedro, dona Leopoldina, aconselhada pelo ministro das Relações Exteriores, José Bonifácio, reuniu-se na manhã de 2 de setembro de 1822 com o Conselho de Estado, assinando o decreto da Independência, que seu marido oficializou a 7 de setembro, com o célebre grito às margens do Ipiranga.

Apesar do apoio político ao marido, sua vida conjugal foi sempre perturbada pelas constantes relações adúlteras de dom Pedro, que chegou a humilhá-la, nomeando-lhe como dama de companhia sua amante, Domitila de Castro, também agraciada com o título de Marquesa de Santos. Obrigada a conviver com a rival sob o mesmo teto do Palácio de São Cristóvão, cada vez mais deprimida, e grávida pela nona vez, Leopoldina acabou abortando. Dom Pedro ausentou-se por mais de um mês do palácio na ocasião e Leopoldina morreu sem revê-lo.

Princesa Isabel

Isabel Cristina Leopoldina de Bragança, a princesa Isabel, nasceu em 29 de Julho de 1846, no Rio de Janeiro, e faleceu em Paris, no dia 14 de novembro de 1921. Segunda filha de D. Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina Maria de Bourbon (o primeiro, Afonso, morreu aos dois anos de idade), casou-se em 1864 com o Conde D’Eu. Nas ausências do Imperador D. Pedro II assumiu por três vezes a regência do Império, oportunidade em que sancionou diversas leis, entre elas a relativa ao primeiro recenseamento do Império, a que permitiu a naturalização de estrangeiros, a que previa o desenvolvimento da viação férrea; e a que determinava a solução de questões de limites territoriais e relações comerciais com países vizinhos.
Liberal, a princesa uniu-se aos partidários da abolição da escravidão. Apoiou jovens políticos e artistas, embora muitos dos chamados abolicionistas estivessem aliados ao incipiente movimento republicano. Financiava a alforria de ex-escravos com seu próprio dinheiro e apoiava a comunidade do Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas, símbolo do abolicionismo. Em 28 de setembro de 1871, sancionou a Lei do Ventre Livre, tornando livres os filhos de escravos nascidos a partir daquela data, e em 13 de maio de 1888 a chamada Lei Áurea, extinguindo a escravidão em todo o território nacional, recebendo por isso o cognome de “A Redentora”. Com relação ao projeto de abolição, aprovado no Senado com apenas um voto contrário, e na Câmara por 83 dos 92 deputados presentes, ele foi o mais resumido que o país já teve, pois em seus dois artigos dizia simplesmente que é declarada extinta a escravidão no Brasil, e que ficam revogadas todas as disposições em contrário.
Os registros sobre essa passagem histórica revelam que em 30 de junho de 1887 a princesa Isabel assumiu a regência do império pela terceira vez. O movimento abolicionista lhe acarretara grande oposição por parte dos fazendeiros escravocratas, tornando tensas as relações entre a regente e o gabinete ministerial conservador. Aliada ao movimento popular contra a escravidão, enquanto o Barão de Cotegipe defendia sua manutenção, a princesa aproveitou a oportunidade surgida com um incidente de rua e demitiu o ministério, nomeando para seu lugar o conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira. Estava aberto, assim, o caminho para a liberdade dos negros no império. Em 13 de maio de 1888, num domingo, aconteceram as últimas votações de um projeto de abolição total. Certa da vitória a regente desceu de Petrópolis, cidade serrana, para aguardar no Palácio Imperial o momento de assinar a Lei Áurea. Usou uma pena de ouro especialmente confeccionada para a ocasião, recebendo a aclamação do povo do Rio de Janeiro. Em 28 de setembro o Papa Leão XIII lhe remeteu a comenda da Rosa de Ouro. Mas a elite cafeeira não aceitava a abolição. Cotegipe, ao cumprimentar a princesa, vaticinou: "Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono".
Nesse mesmo dia a Princesa Isabel enviou a seu pai o seguinte bilhete: "Empereur Brésil, Milan. Acabo sanccionar a lei da extincção da escravidão. Abraço Papae com toda a effusão do meu coração. Muito contentes com suas melhoras. Commungamos hoje por sua intensão. Isabel".
Logo depois da Proclamação da República, como a família Imperial havia sido banida do país, a Princesa acompanhou seus familiares rumo ao exílio. De seu casamento com o Conde D’Eu nasceram três filhos: Pedro de Alcântara, Luiz Maria Felipe e Antônio Gusmão Francisco. Os restos mortais da princesa e seu marido foram transferidos para o Rio de Janeiro em 6 de julho de 1953.
Por ter promulgado a Lei Áurea a Princesa Isabel conquistou um lugar de destaque na História do Brasil, pois se a sua atitude atendeu de um lado aos reclamos feitos pelos abolicionistas ao longo de anos de campanha contra a privação da liberdade imposta a seres humanos, de outro ela praticamente decidiu o destino da monarquia, pois lhe abalou as colunas de tal forma que o regime enfraquecido não mais conseguiu resistir às investidas dos republicanos.
Conforme determinava o artigo 46, capítulo 3, título IV, da Constituição brasileira de 1824, os príncipes da Casa Imperial seriam senadores por direito, e assim teriam assento no Senado quando alcançassem a idade de vinte e cinco anos. Dessa forma, em 1871 a princesa Isabel Leopoldina tornou-se a primeira senadora do Brasil, tendo sido, também, a única a desfrutar desse dispositivo constitucional, uma vez que todos os príncipes do Brasil que a antecederam, ou morreram antes dos vinte e cinco anos, ou se casaram com estrangeiros e deixaram o país, à exceção de seu pai, que assumiu o trono aos catorze anos de idade. Depois dela, a ordem constitucional do Império caiu antes que os príncipes porvir pudessem tornar-se senadores.
De pensamento arrojado para sua época, Dona Isabel era partidária de idéias modernas, como o sufrágio feminino e a reforma agrária. Documentos recentemente descobertos revelam que a princesa estudou indenizar os ex-escravos com recursos do Banco Mauá.

Dom Pedro II

O segundo imperador do Brasil nasceu no Palácio da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, no dia 2 de dezembro de 1825, sendo o sétimo filho e terceiro varão do casal de imperadores D. Pedro 1° e D. Maria Leopoldina, que faleceu quando o príncipe tinha apenas um ano. Com a morte de seus irmãos mais velhos, Miguel e João Carlos, herdou o direito ao trono do Brasil.

Após a abdicação do trono e a partida de D. Pedro 1° para Portugal, ascendeu ao poder com apenas 6 anos, em 7 de abril de 1831. Até assumir de fato o poder, ficou sob a tutela de José Bonifácio de Andrade e Silva e depois do marquês de Itanhaém, Manuel Inácio de Andrade Souto Maior.

Enquanto o Brasil era governado por uma regência, D. Pedro 2° iniciou os seus estudos com a sua camareira, D. Mariana Carlota Magalhães Coutinho, a condessa de Belmonte. Com diversos mestres do seu tempo, aprendeu outros idiomas, música, dança, geografia, literatura, ciências naturais, pintura e equitação.

Após nove anos de conflitos políticos internos no Brasil, D. Pedro 2° foi declarado maior de idade pela Assembléia Legislativa, atendendo a pressões do Partido Liberal, sendo sagrado e coroado um ano depois, em 18 de julho de 1841, na Capela Imperial do Rio de Janeiro. Dois anos após, no dia 30 de maio, casou-se com a princesa napolitana Teresa Cristina Maria de Bourbon. Com ela, teve quatro filhos, mas somente dois sobreviveram: as princesas Isabel e Leopoldina.

Assumindo o poder
Entre seus primeiros atos de governo, decretou a anistia geral e restabeleceu o conselho de Estado. Neste primeiro período, tentou buscar a pacificação do país, contornando diversas revoltas como a dos Liberais (1842), em Minas Gerais e São Paulo; a Guerra dos Farrapos (1845) e a Insurreição Praieira (1848), em Pernambuco.

Entre 1864 e 1870, quando o país esteve envolvido na guerra contra o Paraguai, chegou a se incorporar ao Exército nacional, durante o período do cerco da cidade de Uruguaiana, e foi até o local do conflito, numa viagem que durou seis meses.

Durante o seu governo, foram construídas as primeiras linhas telegráficas e a primeira estrada de ferro do país. A imigração estrangeira e a instrução pública também receberam incentivos do imperador, que por diversas vezes foi nomeado árbitro em litígios internacionais.

Fim da escravidão
Em seu Império, ocorreram o fim do tráfico negreiro (4 de setembro de 1850), a implantação do sistema de esgotamento das duas principais cidades da época, São Paulo e Rio de Janeiro (1850); a Lei do Ventre Livre (28 de setembro de 1871); a libertação dos escravos sexagenários e a lei Áurea, em 13 de maio de 1888, sancionada pela princesa Isabel, que ocupava a regência.

Interessado pelas letras e pelas artes, trocou correspondências com vários cientistas europeus da época, como Louis Pasteur e Arthur de Gobineau, sempre incentivando intelectuais e escritores. Durante o seu reinado, excursionou pelo Brasil e visitou diversos lugares do mundo, como a América do Norte, a Rússia, a Grécia, o Egito e a Palestina. Nestas visitas sempre buscava trazer inovações tecnológicas para o país, como a câmera fotográfica, onde os registros de suas viagens se tornaram preciosidades históricas.

Proclamação da República
Em 1870, com o final da Guerra do Paraguai, as divergências políticas se acirraram e o surgimento do Partido Republicano neste ano deu início à decadência política do Império. Em 1887, apesar dos problemas de saúde, fez a sua última viagem ao exterior como imperador, onde visitou a França, Alemanha e Itália. Em Milão, chegou a ficar por um período internado devido a uma pleurisia.

Com a proclamação da República em 15 de Novembro de 1889, ficou prisioneiro no paço da Cidade, para onde foi ao sair de Petrópolis, numa tentativa frustrada de sufocar o movimento. Com a decretação de que teria que sair do país em 24 horas pelo governo provisório, D. Pedro 2° deixou o Brasil e foi para Portugal com a família dois dias depois, chegando em Lisboa e depois indo em direção ao Porto, onde a imperatriz morreu no dia 28 de dezembro.

Na Europa, viveu em Cannes, Versailles e Paris, onde participa de palestras, conferências e espetáculos de arte. Aos 66 anos, morre de pneumonia em um hotel em Paris, no dia 5 de dezembro de 1891. Seu corpo foi transladado para Lisboa, onde foi colocado no convento de São Vicente de Fora, juntamente com o de sua esposa. Em 1920, os restos mortais do imperador vieram para o Brasil, tendo sido depositados na catedral do Rio de Janeiro e depois transferidos para a catedral de Petrópolis, onde se encontram sepultados.

O nome completo de D. Pedro 2° era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.

Dom Pedro I

Principal responsável pela Independência do Brasil, D. Pedro foi o primeiro imperador do país e 27° rei de Portugal, com o título de Pedro 4°. Filho do então monarca D. João 6°, que na época governava Portugal, Brasil e Algarves, e da rainha Carlota Joaquina de Bourbon, Pedro viveu em Portugal até os 9 anos, quando teve que vir juntamente com a família real para o Brasil por ocasião da invasão dos franceses a Portugal, em 1807.

Educado por religiosos, gostava de praticar esportes, como a equitação, e tinha especial prazer pela música, sendo o compositor do Hino Nacional de Portugal até 1920 e do Hino à Independência do Brasil. Dois anos depois de tornar-se herdeiro da Coroa, com a ascensão de D. João a rei de Portugal, D. Pedro 1° casou-se, em 1818, com Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo, arquiduquesa da Áustria.

Independência do Brasil
Com o retorno de seu pai para assumir o trono de Portugal, após a Revolução do Porto, Pedro foi nomeado Príncipe Regente do Brasil em 22 de abril de 1821. Pouco tempo depois, ao perceber que já começava no Brasil uma insatisfação contra o regime colonial, a corte portuguesa despachou um decreto ordenando que ele retornasse para a sua terra natal. O pedido provocou uma enorme comoção nacional e D. Pedro resolveu permanecer no Brasil, criando o famoso "Dia do Fico", ocorrido no dia 9 de janeiro de 1822. "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico", disse o então príncipe.

A decisão enfureceu a corte portuguesa que, pouco tempo depois, enviou uma carta com uma série de retaliações caso este fato se consumasse. Assim que recebeu a mensagem, durante uma viagem entre Santos e a capital paulista, D. Pedro 1º, às margens do Riacho do Ipiranga, proferiu o famoso grito de "Independência ou Morte!", proclamando a Independência Política do Brasil, em 7 de setembro de 1822, rompendo definitivamente as relações do Brasil com Portugal. Quando retornou ao Rio de Janeiro, foi consagrado imperador e defensor perpétuo do Brasil.

Apesar de possuir idéias liberais, seus primeiros atos como imperador foram contraditórios: demitiu um dos maiores articuladores da proclamação da independência, José Bonifácio de Andrade e Silva, e dissolveu a Assembléia Constituinte. A nova Constituição foi elaborada em 1824 por um Conselho de Estado indicado pelo novo imperador.

Abdicação do trono
Após a morte de D. João 6°, D. Pedro 1°, contrariando a Constituição que aprovara, foi para Lisboa assumir o trono de seu pai, tornando-se D. Pedro 4°, o 27° rei de Portugal. Como não podia acumular as duas coroas, em 29 de abril de 1826, abdicou do trono de Portugal em favor de sua filha, Maria da Glória, e escolheu a Infanta Isabel Maria para regente do cargo. Casou-se novamente três anos depois com Amélia Augusta Eugênia Napoleão de Leuchtemberg.

A sua popularidade entre os brasileiros começou a cair quando D. Pedro 1° demonstrou indecisão entre escolher o Brasil e Portugal para governar. Além disso, os constantes atritos com as forças políticas do Brasil fizeram com que o imperador abdicasse do trono em 7 de abril de 1831 em nome do filho, Pedro de Alcântara, que se tornou D. Pedro 2°.

Retorno para Portugal
Após a renúncia, D Pedro 1° retornou para Portugal, onde lutou para restituir sua filha ao trono, que havia sido tomado pelo irmão Miguel. Com a reconquista do trono e a decretação da maioridade de sua filha, coroada como Maria 2ª, D. Pedro 1° contraiu uma tuberculose e morreu no palácio de Queluz, com 36 anos. Apesar de comandar duas nações, seu corpo foi enterrado apenas com as honras de um general, no pavilhão de São Vicente de Fora. Somente em 1972, durante as comemorações dos 150 anos da Independência do Brasil, os seus restos mortais foram transladados para o Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

O primeiro imperador do Brasil teve vários filhos. De seu primeiro casamento nasceram Maria da Glória, Miguel, João Carlos, Januária, Paula, Francisca e Pedro de Alcântara. Do segundo casamento teve a princesa Maria Amélia.

Já do seu relacionamento extraconjugal com Domitila de Castro Canto e Melo, a quem ele deu o título de Marquesa de Santos, nasceram cinco filhos: um menino natimorto, Isabel Maria de Alcântara Brasileira, Pedro de Alcântara Brasileiro, morto antes de completar um ano, Maria Isabel de Alcântara Brasileira, que morreu com nove meses e Maria Isabel 2ª de Alcântara Brasileira.

Seu nome completo era Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon.

Update: D. Carlota Joaquina (18/02/2011)

25 de abril de 1775, Aranjuez - 7 de janeiro de 1830, Lisboa
Dona Carlota Joaquina.
Filha primogênita do rei da Espanha Carlos IV e de sua esposa, D. Maria Luísa Teresa de Bourbon, Carlota Joaquina de Bourbon nasceu em Aranjuez, em 25 de abril de 1775. Com apenas dez anos, casou-se por procuração com o príncipe de Portugal D. João, em um acordo de aliança entre os dois países. Após a morte de seu irmão primogênito D. José, D. João tornou-se príncipe regente e depois rei de Portugal, com o nome de D. João VI. Descrita por muitos da época como uma pessoa feia, Carlota possuía um temperamento forte e voluntarioso, o que dificultava a sua relação com outras pessoas. Comenta-se que, durante a lua de mel, teria agredido o seu marido com uma dentada para que o casamento não fosse consumado. Extremamente ambiciosa, a princesa tentou logo dominar o seu marido, que não cedeu às suas vontades, e com isso ela acabou se afastando de sua presença. Com a doença de D. Maria I, que se encontrava com problemas mentais, D. João se muda para o palácio de Mafra, onde governa o país como príncipe regente, enquanto sua esposa continua a viver no palácio de Queluz com a família real. Carlota Joaquina foi mãe de nove filhos: Maria Teresa, Antonio Pio, Maria Isabel Francisca, Pedro de Bragança (futuro imperador do Brasil), Maria Francisca, Isabel Maria, Miguel I, Maria da Assunção, Ana de Jesus. Embora, até o último momento tenha tentado continuar em Portugal, com a invasão das tropas napoleônicas ao país, em 1807, foi obrigada a embarcar para o Brasil com o marido, os filhos e o restante da corte portuguesa. No Rio de Janeiro, preferiu sempre morar longe do marido, em locais bucólicos, como Botafogo. Os dois apenas se reuniam em algumas solenidades públicas. Se estava mal-humorada, mandava chicotear transeuntes que não se ajoelhavam quando ela passava com seu cortejo. Como representava constante perigo a autoridade do príncipe, o regente conseguia espiões para vigiá-la e a princesa subornava outros tantos para estar sempre abastecida de informações do que ocorria no Palácio Real e na Quinta da Boa Vista.

Um dos mais conhecidos espiões foi Francisco Gomes da Silva, apelidado de Chalaça, que serviu várias vezes de espião entre o rei e a rainha e vice-versa. Além de avisá-lo sobre as possíveis conspirações da rainha, estes informantes também contavam ao regente sobre as aventuras amorosas de sua mulher, que possuía vários amantes. Por diversas vezes, Carlota Joaquina tentou tomar o poder de seu marido. Em 1805, ainda em Portugal, o regente descobriu uma conspiração tramada por sua esposa que, com o apoio de nobres e eclesiásticos, planejava tirar D. João do poder, declarando-o incapaz. Como a Espanha, seu país natal, se encontrava em poder de Napoleão com toda a sua família prisioneira, Carlota concebeu um plano para governar as colônias espanholas, se transformando na rainha do Rio da Prata. O projeto fracassou, inclusive pela falta de interesse de D. João, que impediu que consumasse o golpe planejado.

Em 1816 foi aclamada rainha, após o falecimento de D. Maria I em 1816. Com a revolução do Porto, em 1820, voltou para a Europa juntamente com a família real. Já em terras lusitanas, manifestou-se contra ao regime constitucional e por isso teve a cidadania portuguesa cassada. Confinada na Quinta do Ramalhão, conspirou para a volta do absolutismo e, com a morte do marido, estimulou o filho, D. Miguel, a se apoderar da coroa, que lhe seria tirada posteriormente por D. Pedro I do Brasil (D. Pedro IV de Portugal). D. Carlota Joaquina morreu em Lisboa, no palácio de Queluz, em 7 de janeiro de 1830.

Update: Dom João VI (18/02/2011)

13 de maio de 1767, Lisboa - 10 de março de 1826, Lisboa
Dom João VI.
Quando a corte portuguesa se transferiu para o Brasil, em 1808, a cidade do Rio de Janeiro era pobre e mal urbanizada. O rei dom João 6o ordenou que se procurassem as melhores construções da cidade, que seriam desocupadas para residência dos nobres. Em cada casa, ordenou que se pintassem as letras P. R., significando "Príncipe Regente". Mas para o espírito gaiato do povo brasileiro, as iniciais passaram a significar "Ponha-se na Rua". A verdade é que não só o Rio de Janeiro, mas o Brasil sofreu transformação sem igual com a chegada da corte portuguesa. Segundo filho de dom Pedro III e de dona Maria Isabel, João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antonio Domingos Rafael nasceu e cresceu em Lisboa, no Palácio Real da Ajuda. Aos 18 anos, casou-se com dona Carlota Joaquina, infanta de Espanha, de apenas 10 anos. O casal teve nove filhos, entre eles dom Pedro, primeiro imperador do Brasil, e dom Miguel, rei de Portugal. Três anos depois, dom João foi declarado herdeiro do trono, em virtude do falecimento de dom José, seu irmão primogênito. Em 1792, passou a reinar, em virtude do problema de saúde mental de sua mãe.

Em 1799, dom João tornou-se príncipe regente. Com a invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas, em 1808, a família real transferiu-se com toda a corte portuguesa para o Rio de Janeiro. O governo de dom João efetuou transformações importantes para a vida econômica e cultural da colônia, como a abertura dos portos, a implantação do livre comércio e a criação de instituições públicas e culturais. A cidade do Rio de Janeiro também conheceu um surto de urbanização e a introdução de hábitos e costumes cosmopolitas. Em 1816, com a morte de D. Maria I, tornou-se dom João VI e subiu ao trono português sendo aclamado, em 1818, rei de Portugal, do Brasil e Algarves. 

A revolução liberal de 1820, que eclodiu na cidade do Porto, obrigou a família real a regressar a Portugal. Em 1821, dom João 6o deixou o Brasil, seguindo para Portugal. D. Pedro I assumiu o trono brasileiro como príncipe regente. Em Portugal, dom João VI foi obrigado a assinar a constituição, que vigorou apenas alguns meses. Seu filho dom Miguel organizou um movimento absolutista e dom João foi reposto como rei. Dom João VI governou Portugal até seu falecimento, em 1826, aos 58 anos.

Publicações populares